Siga o Senado
Siga o Senado · score

O número ao lado do nome

Ao lado de cada senador, em todas as telas, há um número de 0 a 100. Ele não diz que houve irregularidade: diz em que ordem vale a pena olhar. É a soma ponderada de quatro leituras que esta ferramenta já fazia separadas — vínculo societário, padrão do gasto, ficha do fornecedor e forma do documento — e cada ponto vem com a frase que o produziu.

1O que o selo quer dizer

O selo repete o mesmo número em toda tela onde há nome de senador: no painel, no índice das árvores, no dashboard do gabinete, na árvore societária, na lista de senadores e nas páginas de alertas e anomalias. A cor sai de onde o gabinete está em relação ao resto do Senado — não de um limiar escolhido:

9
abaixo da mediana

O gasto e os vínculos deste gabinete estão dentro do que é comum no Senado. Nenhum sinal acima do típico.

de 0 a 9,1 · 39 gabinetes

13
acima da mediana

Algum sinal acima do Senado típico, ainda longe do topo.

de 9,1 a 13,0 · 19 gabinetes

18
no quarto mais alto

Vários sinais acima do típico, ou um deles bem acima.

de 13,0 a 17,7 · 12 gabinetes

31
no décimo mais alto

Convergência de sinais, ou um fato societário confirmado. É onde a checagem começa.

de 17,7 a 30,8 · 8 gabinetes

Os cortes são a mediana, o terceiro quartil e o percentil 90 do próprio Senado (9,1, 13,0 e 17,7 pontos), calculados sobre os 78 gabinetes com despesa na janela.

2Como o Senado se distribui

9,1score mediano
17,7percentil 90
30,3percentil 99
30,8maior score
1gabinete sem nenhuma razão
0 25 50 75 100 p50 p75 p90

Um traço por gabinete (78 traços), na régua de 0 a 100. As três linhas tracejadas são os cortes do selo: p50 a mediana (9,1), p75 o quarto mais alto (13,0) e p90 o décimo mais alto (17,7).

Repare onde o Senado fica: a massa está no primeiro terço da régua e o topo real é 30,8, não 100. Chegar a 100 exigiria estar no 1% mais extremo de todos os sinais ao mesmo tempo, e ainda ter um vínculo societário direto — que nenhum dos gabinetes tem. A escala não foi esticada para preencher os 100 pontos: esticá-la seria fabricar gravidade.

3Do que o número é feito

Quatro componentes, com pesos fixos. Esta é a média do Senado — a barra de cada gabinete aparece na fila abaixo:

Vínculo e conflito · peso 30 · média 5,5 · máx. 54,6 · 45 gabinetes pontuamPadrão do gasto · peso 30 · média 10,0 · máx. 61,9 · 48 gabinetes pontuamIntegridade do fornecedor · peso 20 · média 10,0 · máx. 50,4 · 54 gabinetes pontuamDocumento e formalidade · peso 20 · média 16,8 · máx. 51,5 · 73 gabinetes pontuam

Repare na desproporção entre a média e o peso de A: os dois sub-sinais mais fortes desse componente — senador sócio de fornecedor da própria cota, e sócio em comum com fornecedor — valem zero nos 78 gabinetes. Não é uma limitação da ferramenta: é um achado, e está explicado em o que muda no Senado.

Há um quinto componente, regras e limites, que vale zero: seria o único a apontar violação de regra em vez de desvio estatístico, mas depende de dados que o Senado não publica em formato aberto — o teto mensal da cota por estado, a lista de despesas vedadas e as datas da janela eleitoral. Ele está declarado na tabela do método, com peso 0, para que a ausência fique visível em vez de sumir na conta.

4A fila

Os 25 gabinetes com o maior score. A barra mostra a decomposição — é ela, e não o número, que diz o que aconteceu em cada caso.

GabineteScoreA · B · C · DPago pela cotaRazões
1CONFÚCIO MOURA RO · MDB30,8
R$ 1,5 mi10 · 1 fatogasto ↗
2MARCOS ROGÉRIO RO · PL30,1
R$ 1,6 mi9gasto ↗
3ASTRONAUTA MARCOS PONTES SP · PL29,3
R$ 1,3 mi12gasto ↗
4MARCELO CASTRO PI · MDB25,0
R$ 1,6 mi9gasto ↗
5JADER BARBALHO PA · MDB23,7
R$ 1,2 mi5gasto ↗
6JAQUES WAGNER BA · PT19,0
R$ 1,7 mi6 · 1 fatogasto ↗
7JAIME BAGATTOLI RO · PL18,6
R$ 1,5 mi11 · 1 fatogasto ↗
8STYVENSON VALENTIM RN · PODEMOS17,8
R$ 1,7 mi4gasto ↗
9PLÍNIO VALÉRIO AM · PSDB17,7
R$ 1,8 mi10gasto ↗
10SÉRGIO PETECÃO AC · PSD17,4
R$ 1,7 mi6gasto ↗
11MARCOS DO VAL ES · AVANTE17,0
R$ 1,2 mi6gasto ↗
12VENEZIANO VITAL DO RÊGO PB · MDB16,0
R$ 1,6 mi5gasto ↗
13NELSINHO TRAD MS · PSD15,8
R$ 1,7 mi7gasto ↗
14JAYME CAMPOS MT · UNIÃO14,9
R$ 1,6 mi6gasto ↗
15HUMBERTO COSTA PE · PT14,7
R$ 1,7 mi9gasto ↗
16LAÉRCIO OLIVEIRA SE · PP13,5
R$ 2,0 mi7gasto ↗
17CARLOS VIANA MG · PSD13,4
R$ 1,3 mi9gasto ↗
18PROFESSORA DORINHA SEABRA TO · UNIÃO13,3
R$ 1,3 mi5gasto ↗
19PAULO PAIM RS · PT13,3
R$ 1,5 mi8 · 1 fatogasto ↗
20HAMILTON MOURÃO RS · REPUBLICANOS13,1
R$ 1,6 mi7gasto ↗
21EDUARDO GOMES TO · PL12,7
R$ 1,2 mi7gasto ↗
22ALAN RICK AC · REPUBLICANOS12,4
R$ 1,6 mi6gasto ↗
23IRAJÁ TO · PSD12,1
R$ 1,5 mi9gasto ↗
24ZENAIDE MAIA RN · PSD12,1
R$ 1,7 mi8gasto ↗
25ROGÉRIO CARVALHO SE · PT11,7
R$ 2,0 mi7gasto ↗

A vínculo · B padrão do gasto · C fornecedor · D documento. Estar na frente da fila não é acusação: é a ordem de checagem.

5Uma ficha inteira

O número nunca aparece sozinho. Onde ele é mostrado por extenso, vem com a decomposição e com as frases que o produziram — cada uma marcada como fato (registro público verificável) ou sinal (leitura estatística, que pode ter explicação trivial):

CONFÚCIO MOURA · RO · MDB

30,8 / 100
A vínculo 54,6 B padrão 12,5 C integridade 30,8 D documento 22,6
  • Afato1 fornecedor com outro senador no quadro societário
  • Asinal41 cruzamentos societários de 2º nível com fornecedores de outros gabinetes — 0,20 por fornecedor pago (mediana do Senado: 0,03)
  • Asinal26 sócios no quadro de mais de um fornecedor deste mesmo gabinete — 0,13 por fornecedor pago (mediana do Senado: 0,10)
  • BsinalR$ 297 mil — 20,2% do gasto — em documentos fora do padrão dos pares ou do próprio histórico (mediana: 2,6%)
  • Csinal34,4% do gasto foi para fornecedor de cadastro frágil: baixado, MEI acima do próprio teto, capital simbólico ou aberto às vésperas da primeira nota (mediana: 12,8%)
  • Csinal2 fornecedores com atividade econômica deslocada da categoria da despesa
  • Dsinal5 notas com CNPJ, data e valor idênticos aos de outro gabinete (0,3 por 100 documentos; mediana: 0,0)
  • Dsinal84% do gasto discricionário em valores redondos (mediana do Senado: 62%)
  • Dsinal4,5% do gasto foi pago a pessoa física, não a empresa — recibo no lugar de nota fiscal (mediana do Senado: 0,0%)
  • contextocontexto: o senador é sócio de 1 empresa, nenhuma delas fornecedora da própria cota

MARCOS ROGÉRIO · RO · PL

30,1 / 100
A vínculo 0,0 B padrão 57,6 C integridade 12,6 D documento 51,5
  • BsinalR$ 398 mil — 25,4% do gasto — em documentos fora do padrão dos pares ou do próprio histórico (mediana: 2,6%)
  • Bsinal4 famílias de anomalia convergem neste gabinete — 6 detectores de 8
  • Ccontexto0,2% do gasto foi para empresa hoje sancionada — mas a nota é anterior à sanção
  • Csinal13,0% do gasto foi para fornecedor de cadastro frágil: baixado, MEI acima do próprio teto, capital simbólico ou aberto às vésperas da primeira nota (mediana: 12,8%)
  • Csinal2 fornecedores com atividade econômica deslocada da categoria da despesa
  • Dsinal87% do gasto discricionário em valores redondos (mediana do Senado: 62%)
  • Dsinal19,7% do gasto foi pago a pessoa física, não a empresa — recibo no lugar de nota fiscal (mediana do Senado: 0,0%)
  • Dsinal32,7% do gasto em documento sem número fiscal utilizável (mediana do Senado: 1,6%)
  • contextocontexto: o senador é sócio de 2 empresas, nenhuma delas fornecedora da própria cota

6A régua única

O problema de qualquer score é que os sinais não vêm na mesma escala: um é sim/não, outro é um desvio sem teto, outro é um percentual. Somar peso sobre escalas diferentes faz o peso virar enfeite — quem manda no resultado passa a ser a escala escondida de cada sinal. Por isso todo sinal graduado passa pela mesma transformação, e ela sai da distribuição do próprio Senado:

intensidade =x − p50p99 − p50, cortada em [0, 1]

Zero para quem está no Senado típico. Ponto cheio no 1% mais extremo. Sinal que quase todo gabinete tem só pontua no excesso — fato raro e verificável não passa por aqui: é binário.

É a diferença entre pontuar a presença e pontuar o excesso. Cruzamento societário de 2º nível existe em 39 gabinetes acima da mediana: pontuar a simples existência do cruzamento seria pontuar a normalidade. Os dois percentis de cada sinal são calculados sobre os 78 gabinetes e ficam publicados aqui — é o que torna o score auditável por quem discorda dele:

Comp.SinalUnid.p50 · não pontuap99 · ponto cheioMáximo observadoGabinetes acima do p50
Acruzamentos de 2º nível por fornecedorun0,031,121,4939
Asócios-ponte por fornecedorun0,100,380,4139
Bshare do gasto em documento anômalo%2,668,774,039
Bfamílias de anomalia que convergemde 51,03,24,012
Bz máximo contra os paresz15,6399,3592,639
Cshare do gasto com sancionado%0,01,03,14
Cshare do gasto com cadastro frágil%12,848,050,839
Cfornecedores com CNAE deslocadoun0,003,234,0029
Dduplicatas por 100 documentosun0,003,234,1929
Dgasto em valores redondospp61,9100,0100,039
Dgasto pago a pessoa física%0,023,234,838
Dgasto sem número de documento%1,647,848,139
Percentil sobre 78 pontos é grosseiro

O Senado tem 78 gabinetes com despesa na janela — a Câmara tem mais de quinhentos. Um percentil 99 sobre 78 observações é, na prática, quase o próprio máximo: um único gabinete extremo define o topo da régua de um sinal inteiro. Isso torna a régua mais sensível a caso isolado do que seria com uma amostra grande, e é por isso que os limiares vão publicados na tabela acima em vez de ficarem no código. Vale a mesma advertência para os grupos comparáveis do detector de anomalia: a CEAPS tem sete ou oito categorias, contra dezenas na Câmara.

Por que a convergência conta famílias, e não detectores

Os oito detectores de anomalia não são oito provas independentes. A matriz de coocorrência calculada na página de anomalias mostra pares que acendem juntos muito acima do acaso — dois ângulos do mesmo episódio. Contar detector por detector inflaria a evidência: entre os 9 gabinetes com três ou mais detectores acesos, 5 não passam de duas famílias, e 12 gabinetes com dois detectores têm os dois na mesma família. Por isso o score agrupa:

FamíliaDetectoresCoincidem acima do acasoGabinetes
valor do documentopar · hist2,74× o esperado ao acaso24
repartição da despesafatia · repet2,55× o esperado ao acaso27
ritmo do gastosalto · fim0,00× o esperado ao acaso8
concentraçãoconcmaior coincidência 4,11× (com par) — abaixo do corte de 2×1
geografiageomaior coincidência 3,90× (com hist) — abaixo do corte de 2×4

O agrupamento é decisão declarada; os fatores de coincidência que o justificam saem do mesmo cálculo que a página de anomalias publica.

O agrupamento não fecha

valor idêntico repetido e corrida de fim de exercício coincidem 2,7× o acaso em 5 gabinetes — acima do corte de coincidência, e ainda assim em famílias diferentes. As cinco famílias vieram do projeto da Câmara e foram mantidas para que os dois métodos sejam comparáveis; medidas no Senado, elas deixam esse par por unir. Consequência prática: os gabinetes que acendem esses dois detectores contam duas famílias no sub-sinal de convergência quando talvez devessem contar uma, e por aí ganham alguns pontos a mais em B.

7Os componentes

A coluna gabinetes que pontuam é por sub-sinal: é onde se vê qual leitura está viva neste universo e qual está declarada mas parada em zero.

Comp.PesoSub-sinalPeso internoGabinetes que pontuamMédia do comp.
A · Vínculo e conflito30senador é sócio de fornecedor da própria cota (fato)1,0005,5
pessoa do círculo societário do senador é sócia de fornecedor (fato)0,700
outro senador é sócio de um fornecedor deste gabinete (fato)0,501
cruzamentos societários de 2º nível por fornecedor pago (excesso)0,2039
sócios presentes em dois ou mais fornecedores do mesmo gabinete, por fornecedor pago (excesso)0,1539
B · Padrão do gasto30share do gasto em documentos fora do padrão dos pares ou do histórico0,403910,0
quantas das 5 famílias de anomalia convergem (não quantos detectores)0,4012
intensidade máxima do desvio (z contra os pares)0,2039
C · Integridade do fornecedor20share do gasto com fornecedor sob sanção vigente, em nota posterior à sanção0,50410,0
share do gasto com cadastro frágil: baixado, MEI acima do próprio teto, capital simbólico ou aberto às vésperas da primeira nota0,3039
fornecedores com atividade econômica deslocada da despesa0,2029
D · Documento e formalidade20notas com CNPJ, data e valor idênticos aos de outro gabinete (por 100 docs)0,302916,8
excesso de valores redondos sobre a mediana do Senado0,2539
share do gasto pago a pessoa física — recibo no lugar de nota fiscal0,2538
share do gasto em documento sem número fiscal utilizável0,2039
número de nota repetido em dois gabinetes0,000
E · Regras e limites0teto mensal da cota por estado · lista de despesas vedadas · datas da janela eleitoral — sem dado público em formato aberto00,0

Em A os sub-sinais somam e saturam em 1: um fato basta para o componente cheio. Em B, C e D os pesos internos somam 1 e o componente é a média ponderada. Linhas em cinza: sub-sinal medido que não pontua em nenhum gabinete.

8O que muda no Senado

Este score é o mesmo método do Siga o Gasto, aplicado à Câmara — mesma régua, mesmos pesos de componente, mesma exigência de uma frase legível para cada ponto. Mas a CEAPS não é a CEAP, e duas partes tiveram de mudar. Os dois números não são comparáveis ponto a ponto: o que os dois compartilham é o método, não a escala.

A — o componente que dá quase zero

Os dois sinais mais fortes de vínculo valem zero nos 78 gabinetes: nenhum senador é sócio de empresa que faturou da própria cota, e nenhum tem sócio em comum com um fornecedor seu. Na Câmara esses dois casos existem e são o que segura o topo da fila. Aqui não existem — e é um resultado, não uma falha do dado: os dois sub-sinais continuam declarados, com o mesmo peso, prontos para pontuar se um caso aparecer numa atualização.

Sem eles, A se apoia em três leituras mais fracas: um fornecedor com outro senador no quadro (1 gabinete), e duas medidas de emaranhamento da rede de fornecedores. A consequência aritmética é visível na barra da seção 3: A tem peso 30 e média 5,5 — o componente com o maior peso é o que menos contribui. Um score cujo componente mais pesado é quase constante é, na prática, um score de três componentes, e quem lê a fila precisa saber disso: o que separa o topo da base aqui é padrão de gasto, ficha de fornecedor e forma de documento, não vínculo societário.

Sub-sinais declarados com peso e sem nenhum caso hoje: senador é sócio de fornecedor da própria cota (fato), pessoa do círculo societário do senador é sócia de fornecedor (fato).

D — refeito com o que a CEAPS tem

Na Câmara, documento e formalidade se apoia em campos que a CEAPS simplesmente não publica: não há link do PDF do documento, não há a glosa separada do valor líquido e não há o tipo do documento — nota fiscal, recibo ou nota eletrônica. Havia duas saídas honestas: zerar o componente, como o E, ou refazê-lo com o que a fonte permite. Escolhemos refazer, e o peso 20 ficou onde estava — porque a pergunta “que forma tem este documento?” continua respondível, só que por outras colunas:

Duplicatas com outro gabinete
Notas com CNPJ, data e valor idênticos aos de outro senador. Não depende de nenhum campo ausente — é o mesmo sinal da Câmara, medido igual.
Valores redondos no gasto discricionário
Parte do gasto em múltiplos de R$ 100 nas categorias em que o gabinete escolhe preço e fornecedor. Preço que sai redondo é preço combinado, não medido. Também idêntico ao da Câmara.
Pagamento a pessoa física
Share do gasto pago a CPF em vez de CNPJ. É o substituto possível do campo de tipo de documento que falta: pagar a uma pessoa física é receber um recibo, não uma nota fiscal — a mesma distinção, lida pela coluna que existe.
Documento sem número fiscal utilizável
Share do gasto em notas cujo campo de número vem vazio, “S/N” ou só zeros. Formalidade no sentido literal: o documento não tem como ser localizado.

Um quinto sinal ficou declarado com peso zero: o número de nota repetido em dois gabinetes, que na Câmara é um fato porque pode ser conferido no PDF. Aqui ele dá 0 casos nos 78 gabinetes — e, sem link do documento, nem se ele desse casos poderia ser chamado de fato. Aparece na tabela dos componentes, em cinza, para a ausência ser visível.

A régua ficou mais curta

Somando as duas mudanças: o teto realista do score no Senado é mais baixo. O maior valor observado é 30,8, e o maior componente A de todos é 54,6 de 100 — contra os 70 pontos que um único fato societário garantiria. Comparar este número com o de um deputado seria comparar duas réguas de comprimentos diferentes. Dentro do Senado, a comparação vale: é a mesma régua para os 78.

9O que é escolha, não medida

Duas coisas neste score foram decididas, não calculadas. Ficam declaradas aqui para que se possa discordar do desenho sem precisar discordar dos dados:

30·30·20·20·0pesos dos componentes A–E
70piso de quem é sócio do próprio fornecedor
12limiares calculados dos dados
0outros números digitados

O piso existe porque fato e suspeita não podem virar a mesma moeda: ser sócio da empresa que recebeu da própria cota é registro público e não depende de magnitude. No Senado ele não disparou nenhuma vez: nenhum gabinete teve o score levantado por ele, porque não há um só caso de senador sócio do próprio fornecedor. Ele fica no código e nesta tabela mesmo assim — um piso que só aparece quando o caso aparece é diferente de um piso que não existe, e a diferença é o que impede o caso conclusivo de ser diluído numa média de indícios quando ele surgir. Hoje a maior soma ponderada é 30,8; se alguma passar de 70, o acúmulo de indício estatístico ficará à frente do registro confirmado, e o piso precisará ser revisto.

Os pesos internos de cada componente também são escolha — estão na tabela da seção anterior, um a um. Fora deles, nenhum número deste score foi digitado: os 12 limiares saem todos da distribuição dos 78 gabinetes.

10Testes de sanidade

Quase todo sinal de gasto público cresce com o volume: quem gasta mais tem mais documentos, mais fornecedores e mais chance de acender qualquer detector. Um score que não trate isso vira um ranking de quem gastou mais, com outro nome. As três correlações de ordem abaixo são o teste:

TesteCorrelação de postosLeitura
score × gasto total do gabinete0,282fraca: o score não é um ranking de quem gasta mais
score × número de documentos0,176fraca: quem emite mais nota não sobe por isso
score × meses de mandato0,126quase nula — mandato curto tem menos oportunidade de acender sinal; esses 6 gabinetes ficam marcados como base curta
Um viés que sobrou, e onde ele mora

Cruzamento societário e sócio-ponte são contagens, e contagem cresce com o tamanho da rede: um gabinete que paga trezentos fornecedores tem mais dos dois por aritmética, não por comportamento. Medidos em contagem bruta, esses dois sinais faziam o componente A correlacionar 0,76 com o número de documentos do gabinete — um proxy de volume com nome de vínculo. Por isso os dois entram por fornecedor pago, e não em bruto, seguindo a mesma regra que a página de anomalias aplica entre grupos: taxa, nunca contagem. A correção baixa a correlação para 0,62, mas não a elimina — o número de cruzamentos possíveis cresce mais rápido que o de fornecedores. É a fraqueza conhecida deste componente, e a maior correlação com volume desta página.

Um segundo teste, este vindo da varredura de anomalias: os componentes A e B não estão medindo a mesma coisa. Dos 44 gabinetes com cruzamento societário de 2º nível, 4 acendem três ou mais detectores (9,1%), contra 14,7% dos 34 sem cruzamento — ou seja, quem tem mais rede societária não é quem mais destoa no gasto. A amostra é pequena demais para afirmar independência, mas não há sinal de que um componente esteja contando o outro.

E um terceiro, que explica um componente que não existe: dividir fornecedor raro com um gabinete marcado não contagia. Entre os 71 gabinetes ligados pelos 126 fornecedores pagos por 2 a 5 gabinetes, 13,3% são marcados, contra 14,7% esperados (± 3,0) em 200 sorteios que embaralham os rótulos dentro de cada estado. Resultado nulo — por isso o score não tem componente de contágio pela rede de fornecedores. Vínculo societário é outra pergunta, e essa tem peso.

11O que isto não vê

O componente de regras vale zero
É o mais valioso que falta, porque seria o único a apontar violação de regra e não desvio estatístico. Precisa do teto mensal da cota por estado, da lista de despesas vedadas e das datas da janela eleitoral — nenhum dos três publicado em formato aberto. Enquanto não existirem, o componente aparece com peso 0 em vez de sumir da conta.
Nada disto lê o documento
A CEAPS não publica o PDF da nota. O score vê valor, data, fornecedor, categoria e quadro societário; se a nota descreve o serviço que diz descrever, ninguém sabe — nem com o site aberto, porque o link não existe. É a diferença mais séria contra a Câmara, e vale para toda a ferramenta, não só para o score.
Setenta e oito é pouco
Todo percentil desta página sai de 78 observações. O p99 é quase o máximo, e um único gabinete extremo redefine o topo de um sinal inteiro. Os limiares vão publicados para que se possa ver quando isso acontece.
Sanção posterior à nota não pontua
Comprar de uma empresa que só foi sancionada depois não é falha do gabinete. Quando a sanção começou depois da última nota, o caso aparece como contexto na ficha, sem ponto.
Mandato curto distorce
Quem ocupou a vaga por poucos meses tem menos oportunidade de acender sinal e menos histórico para comparar. Esses gabinetes recebem score, mas marcados como base curta.
O score muda quando a fonte muda
O Senado revisa os arquivos anuais depois de publicá-los, e um fornecedor pode ser sancionado amanhã. O score é recalculado a cada atualização e traz a data do cálculo no rodapé — comparar dois números de datas diferentes não faz sentido.
Não há apuração jornalística por trás disto
Nenhum gabinete foi procurado. Score alto quer dizer “olhe primeiro”, nunca “irregular”.
Como ler o número ao lado de um nome

Ele é uma fila de checagem, montada por computador a partir de dado público. Não afirma irregularidade, não distingue explicação trivial de problema real e não substitui abrir o documento. Quem for afirmar algo a partir daqui precisa conferir antes. O método das outras telas está no glossário, e a camada estatística que alimenta o componente B está em anomalias.