Cada regra, cada fonte e cada limite do que você vê nas outras telas. Os números desta página são recalculados a cada atualização do site, do mesmo dado que alimenta os painéis.
Este site organiza um dado que já é público: cada despesa que os gabinetes do Senado apresentaram para ser reembolsada pela CEAPS, a cota parlamentar dos senadores. Ele aponta padrões incomuns. Padrão incomum não é crime, nem sequer irregularidade — é um lugar onde vale a pena olhar mais de perto.
Nenhum número aqui prova desvio. Um fornecedor recém-aberto pode ser uma gráfica nova; duas empresas com o mesmo sócio podem ser uma rede de postos de combustível; um gasto muito acima da mediana pode ser um estado grande e distante de Brasília. O que a ferramenta faz é reduzir 69.068 documentos ao punhado que merece uma conferência humana.
Não há apuração jornalística por trás de cada indicador, nem contato prévio com os gabinetes. Quem for usar isto para afirmar algo precisa conferir antes.
Este site é a versão do Siga o Gasto (Câmara dos Deputados) para o Senado. As análises são as mesmas, mas o dado do Senado é mais pobre em três pontos concretos, descritos na seção J: a CEAPS não publica o PDF de cada documento, não separa a glosa do valor reembolsado e não diz que tipo de documento foi apresentado (nota fiscal, recibo, nota eletrônica). Onde o site da Câmara manda você abrir o documento original, aqui a conferência precisa de um pedido de acesso à informação.
O Senado tem 81 cadeiras — três por unidade da federação, nas 27 que elegem senador. O mandato é de oito anos, e a renovação é alternada: em cada eleição geral o eleitor escolhe um terço ou dois terços das cadeiras. Os senadores de hoje entraram em 2019 (mandato até 2027) ou em 2023 (até 2031).
Entram no site os 78 gabinetes que apresentaram alguma despesa de CEAPS na janela — os outros 3 de quem ocupa cadeira hoje não apresentaram nenhuma e por isso não ganham página. A contagem de cadeiras continua sendo a oficial, 81, porque é um fato sobre o Senado e não sobre este site.
O período vai de fevereiro de 2023 a agosto de 2026 — 43 meses de competência.
Não é uma correção de dado: é uma escolha de comparabilidade. A 57ª legislatura da Câmara tomou posse em 1º de fevereiro de 2023, e o site irmão corta ali por necessidade — janeiro de 2023 ainda é da legislatura anterior. No Senado isso não acontece do mesmo jeito, porque dois terços dos senadores atuais estão no meio de um mandato iniciado em 2019 e não têm descontinuidade nenhuma em janeiro de 2023.
O corte existe para que as duas ferramentas cubram exatamente o mesmo período de calendário e um total possa ser comparado com o outro. A regra vive em src/senado_mandato.py e vale para todos os leitores da CEAPS.
O arquivo da CEAPS traz despesa de quem já deixou a cadeira dentro da janela — suplentes que ocuparam o lugar de um titular licenciado, senadores que assumiram cargo no Executivo, e assim por diante. São 21 nomes, 5.767 documentos e R$ 11.060.824,84 que não entram em nenhum número deste site, porque a lista oficial de referência é a de quem está em exercício hoje. É a diferença mais fácil de estranhar entre um total daqui e um total somado direto do arquivo bruto.
O Senado publica, na página de cada senador, o total anual da CEAPS. O caso de referência do projeto é Paulo Paim: nos dois anos com tela oficial completa, o número deste site bate exato, sem diferença de centavos.
| Ano | Senado (oficial) | Este site | Diferença |
|---|---|---|---|
| 2025 | R$ 432.274,08 | R$ 432.274,08 | R$ 0,00 |
| 2026 | R$ 356.333,47 | R$ 356.333,47 | R$ 0,00 |
Fonte oficial: tela de transparência do senador no portal do Senado, consultada em 30 de agosto de 2026. É a única citação externa desta página — todo o resto sai do nosso próprio dado.
A CEAPS identifica o gabinete por nome em texto livre (coluna SENADOR), sem código. O casamento com a lista oficial é feito por nome normalizado (maiúscula, sem acento) e, quando não bate exato, por nome de urna contido no nome da CEAPS — é o que resolve "Weverton" na lista oficial contra "WEVERTON ROCHA" no arquivo de despesa. A implementação é única, em src/senado_ids.py.
O corte temporal é por competência (ANO/MES), não por data do documento — uma nota emitida em janeiro pode ter competência de fevereiro.
São R$ 104.660.358,02 em 69.068 documentos, distribuídos em 7 categorias oficiais de despesa. A CEAPS é a verba de reembolso do mandato: escritório político, locomoção e hospedagem, divulgação, consultorias, passagens e material de consumo. Uma fatia pequena chega ao arquivo sem categoria na fonte, e aparece assim na tabela abaixo.
O Senado paga também o subsídio do senador, a estrutura de pessoal do gabinete e outras verbas administrativas. Nada disso está neste site — aqui só existe a CEAPS. Comparar um total daqui com um total de gasto do Senado sem checar de que verba se trata é o erro mais fácil de cometer.
| Categoria | Valor | % do total | Documentos |
|---|---|---|---|
| Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes | R$ 26.573.615,38 | 25,4% | 31.590 |
| Contratação de consultorias, assessorias, pesquisas, trabalhos técnicos e outros serviços de apoio ao exercício do mandato parlamentar | R$ 23.696.939,23 | 22,6% | 6.622 |
| Divulgação da atividade parlamentar | R$ 18.397.709,37 | 17,6% | 5.613 |
| Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles. | R$ 16.034.633,72 | 15,3% | 12.095 |
| Passagens aéreas, aquáticas e terrestres nacionais | R$ 15.574.567,58 | 14,9% | 8.739 |
| Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos. | R$ 3.669.738,20 | 3,5% | 4.135 |
| Sem categoria | R$ 693.122,84 | 0,7% | 237 |
| Serviços de Segurança Privada | R$ 20.031,70 | 0,0% | 37 |
São poucas categorias, e largas: a da Câmara tem dezenas, a do Senado tem 7 — e uma delas, a de locomoção e hospedagem, junta combustível, alimentação e diária num rótulo só. Isso limita qualquer leitura por tipo de gasto: duas despesas muito diferentes podem cair na mesma linha.
Fonte: senado.leg.br/transparencia/LAI/verba/despesa_ceaps_AAAA.csv, um arquivo por ano, atualizado diariamente. Valor = coluna VALOR_REEMBOLSADO; categoria = TIPO_DESPESA. O arquivo tem três armadilhas de formato, todas tratadas numa implementação única (src/ceaps_io.py): vem em Latin-1 e não em UTF-8; a primeira linha é metadado e o cabeçalho de verdade é a segunda; e o valor é texto no padrão brasileiro com vírgula decimal apenas quando há centavos.
Nada aqui é dado próprio. São cinco bases públicas, baixadas inteiras, cruzadas por identificador — nunca por nome, exceto no único ponto declarado na seção B — e recalculadas a cada atualização do site. O caminho de qualquer número de qualquer tela começa em uma das cinco caixas da primeira coluna.
Cinco fontes públicas à esquerda; o que a ferramenta monta em cima delas; o que é calculado; e as telas onde isso aparece.
passe o mouse ou toque em uma caixa
Todas são públicas e abertas: os endereços abaixo baixam exatamente o mesmo dado que a ferramenta usa, sem cadastro nem chave de acesso.
Arquivo anual da CEAPS → só as linhas do nome dele, casado com a lista oficial, e com competência a partir de fevereiro de 2023 → soma de VALOR_REEMBOLSADO → comparação com a mediana dos demais gabinetes → a página do senador. 43 meses, 69.068 documentos no conjunto.
CNPJ que recebeu da CEAPS → cadastro e quadro societário na Receita (13.756 sócios no primeiro nível) → CPF do senador confirmado no TSE (66 dos 78) → se ele próprio é sócio, é D1; se um sócio dele é sócio de lá, é D2 → árvore, painel e página de alertas. Hoje: 0 caso de D1 e 0 de D2.
De onde vem o selo de fornecedor sancionado. Listas CEIS e CNEP baixadas inteiras (10.261 CNPJs raiz) → cruzamento pelos oito primeiros dígitos do CNPJ com os 6.400 fornecedores da CEAPS → 11 fornecedores com sanção vigente em 19 gabinetes → selo com link para o registro oficial no Portal da Transparência.
A cada atualização, o site é reconstruído inteiro nesta ordem: CEAPS por gabinete e por fornecedor → cadastro e sócios na Receita → CPF e candidatura no TSE → círculo societário do senador → sanções → árvores → páginas de senador → painel → recortes → glossário e alertas. Nenhuma tela guarda número escrito à mão: se a fonte muda, a tela muda junto.
Duas coisas ficam congeladas entre atualizações e estão declaradas na seção J: a base da Receita é a versão de julho de 2026, e as listas de sanção são a fotografia do dia do download. Empresa aberta, fechada ou com sócio trocado depois disso aparece desatualizada.
Dizer que um gabinete gastou muito só faz sentido contra alguma referência. O site usa a mediana dos demais senadores — o valor do meio da fila —, e não a média, que uma única despesa enorme distorce. Cada gabinete recebe também seu percentil: em que posição da fila ele está, de 0 a 100, entre os 78 com despesa.
Aqui há uma vantagem sobre o site da Câmara e uma desvantagem. A vantagem: o universo é pequeno e estável — 81 cadeiras, sem a rotatividade de suplentes que obriga a Câmara a excluir da mediana quem exerceu poucos meses. A desvantagem: com 78 gabinetes, cada quartil tem cerca de vinte pessoas, e mudar de posição no ranking exige menos diferença de gasto do que na Câmara. Leia percentil do Senado como uma faixa larga, não como uma posição precisa.
O Senado não reembolsa despesa com bem ou serviço de empresa cujo dono seja o próprio senador ou um parente dele até o terceiro grau. A regra está publicada pelo próprio Senado, na lista do que não pode ser pago pela CEAPS: não são ressarcidas "despesas relativas a bens oferecidos ou serviços prestados por empresa ou entidade da qual o proprietário ou detentor seja o Senador ou parente seu até o terceiro grau". A CEAPS é instituída e regulamentada pelo Ato da Comissão Diretora nº 3, de 2003, e pelos atos que o alteram.
Fontes: Senado Federal — o que não pode ser utilizado com a CEAPS · a lista oficial dos atos que regulamentam a CEAPS. Consultadas em 30 de agosto de 2026. Não citamos artigo e inciso porque o texto consolidado do ato não está acessível de forma estável no portal de normas.
O site procura dois graus de proximidade societária:
A vedação do Senado fala em proprietário ou detentor. O que a Receita publica é o quadro societário. Um sócio minoritário de uma sociedade grande aparece como sócio no nosso cruzamento e pode não ser proprietário nem detentor da empresa. Por isso D1 é tratado aqui como sinal de conflito de interesse a conferir, e não como descumprimento declarado de norma. A vedação também alcança parentes até o terceiro grau, e este site não tem como mapear parentesco — a nossa cobertura é mais estreita que a da regra nesse ponto.
Nos 78 gabinetes cobertos, nenhum senador aparece como sócio de um fornecedor da própria cota (D1) e nenhum tem sócio dele no quadro de um fornecedor (D2). Isso não é uma parte do site que faltou construir: o cruzamento roda, encontra as 189 participações societárias dos senadores na Receita, e não acha interseção com a lista de fornecedores. No site da Câmara, o mesmo cruzamento encontra dezenas de casos.
Duas ressalvas honestas: o cruzamento só é possível para os 66 gabinetes com CPF confirmado no TSE — para os outros 12, ausência de alerta não é ausência de vínculo; e o cadastro da Receita é um retrato de julho de 2026, que não diz quem era sócio na data de cada nota.
A árvore de cada senador vai a dois níveis: os sócios dos fornecedores e os sócios desses sócios. O segundo nível gera muitos cruzamentos — 44 dos 78 gabinetes têm ao menos um —, e a maior parte não significa nada: redes de postos de combustível, hotéis e escritórios de contabilidade fazem dois gabinetes sem qualquer relação aparecerem ligados.
Só 96,4% do valor (R$ 100,9 mi) foi pago a um CNPJ identificável — são 6.401 empresas. R$ 3,7 mi foram pagos a pessoa física (CPF), em 1.063 documentos, e R$ 63 mil não trazem identificador nenhum no arquivo. Sobre essa fatia, nenhuma análise societária é possível.
Cada gabinete tem uma árvore própria. Ela é montada sempre na mesma ordem, e saber a ordem é o que permite ler o desenho:
Dois números derivados aparecem no painel como filtro: sócio em 2 ou mais fornecedores do mesmo gabinete (58 senadores) e cruzamento de 2º nível (44). Nenhum dos dois é acusação — são medidas de concentração da rede de fornecedores, e as duas sobem naturalmente com o tamanho do gasto.
A página de alertas descreve cada sinal um a um: o que apura, em que fonte, o que pode indicar, o que não prova — e quais gabinetes marca.
Nas árvores societárias, cada fornecedor pode receber alertas automáticos a partir do cadastro da Receita. Nenhum deles é acusação: são condições que, somadas, dizem onde olhar.
No painel, quatro selos resumem análises estatísticas do próprio gasto: CNAE deslocado (29 gabinetes — o ramo do fornecedor não costuma atender aquela categoria de despesa), valores redondos (4 — quase todo o gasto discricionário em múltiplos de R$ 100), outliers (22 — documentos muito acima do padrão da categoria) e documento repetido (0 — o mesmo número de documento, CNPJ, data e valor em dois gabinetes).
CNAE deslocado: a divisão do CNAE do fornecedor responde por menos de 0,5% do valor daquela categoria no conjunto — ou é holding, administradora de imóveis próprios, partido ou associação — e o fornecedor recebeu ao menos R$ 10 mil. Valores redondos: ao menos 99% do gasto discricionário acima de R$ 500 em múltiplos de R$ 100, só para gabinetes com 30 documentos ou mais. Outliers: documentos acima do percentil 99,5 da categoria e de ao menos R$ 5 mil, com três ou mais ocorrências. Documento repetido: mesmo CNPJ, número, data e valor em outro gabinete.
Duas adaptações obrigatórias em relação ao site da Câmara. Primeira: o filtro de categoria tarifada — onde não há escolha de preço — aqui só consegue excluir passagens; telefonia e postagem, que na Câmara são categorias próprias, no Senado estão dentro de "aquisição de material de consumo" e não dão para separar. Segunda, e mais séria: na Câmara os candidatos a documento repetido são conferidos abrindo os dois PDFs, e só os confirmados viram alerta. A CEAPS não publica o PDF, então aqui nenhum caso pode ser conferido — são candidatos, não achados.
Cada um desses sinais tem um verbete próprio em /alertas, com a contagem, a fonte, o que pode indicar e o que não prova.
46 dos gabinetes cobertos registraram candidatura na eleição geral de 4 de outubro de 2026, segundo o TSE. O selo aparece no painel e na página de cada senador. Candidatura com renúncia não recebe selo, e o registro pode ainda estar sob julgamento.
| Cargo disputado | Gabinetes |
|---|---|
| Senador | 32 |
| Governador | 10 |
| Deputado Federal | 2 |
| Presidente | 1 |
| Deputado Estadual | 1 |
A situação do registro no dia da consulta: Deferido (28) · Aguardando julgamento (17) · Deferido com recurso (1).
Dessas, 41 foram confirmadas por CPF. As outras 5 foram identificadas apenas por nome de urna no estado e aparecem sinalizadas como não confirmadas — trate-as como provisórias.
Uma particularidade do Senado: como o mandato é de oito anos, boa parte de quem está em exercício não tem cadeira em disputa em 2026 e, quando aparece aqui, é porque decidiu concorrer a outro cargo — governador, deputado, presidente. A leitura correta do selo é “está em campanha”, não “está tentando a reeleição”.
Não são limitações desta ferramenta: são campos que o dado do Senado não tem, e que o dado da Câmara tem. Cada um fecha uma porta de conferência.
COD_DOCUMENTO, que é um identificador interno e não abre o comprovante. No site da Câmara, todo indício termina num link para a imagem da nota; aqui o passo seguinte a qualquer alerta é um pedido de acesso à informação. É por isso que nenhum caso de documento repetido pode ser confirmado.VALOR_REEMBOLSADO. Não dá para saber quanto o gabinete pediu e quanto a administração recusou pagar — uma informação que, na Câmara, aparece em campo próprio e é um sinal por si só.Achou um número errado, uma leitura que não se sustenta, ou conferiu um documento na fonte? A correção entra na próxima atualização; limite novo vira linha da seção J.
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